quinta-feira , 23 novembro 2017
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Flight Reports: CORPO E ALMA ULTRA-LEVES

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Mesmo sabendo que nem tudo o que voa é avião constata-se que nem todos os seres vivos foram feitos para despegar os pés do solo. Nós, humanos bípedes não-alados, somos uma exceção por força, obra e graça da engenhosidade, como resultado da ânsia por conquistar os ares mesmo contra as leis da física.

Tanta “filosofança” justifica-se plenamente quando, em algum momento de nossas vidas, o prazer de voar toca os limites da liberdade absoluta e atinge a proporção humana como um todo. Talvez o salto de pára-quedas, a asa delta, o paraglider ou até mesmo o bungjump possam desencadear uma precipitação de adrenalina mais forte. Mas, quanto mais próximo da versatilidade e da autonomia, o vôo humano se torna mais perfeito.

Foi exatamente isso o que acabei experimentando quando voei num ultraleve pela primeira vez. Numa imprevista e maravilhosa oportunidade, faz quase um ano, a sensação de que a criatura humana se faz “merecedora” de voar foi muito intensa. Talvez, até mais intensa do que o é para pessoas que andam, isto é, “deslocam-se” por seus próprios meios e esforços.

Decolar é um procedimento radical e sintético, tudo se decide ali, no momento crítico em que o aeroplano desprega do solo.

Resumindo a experiência, o biplano Mistral desloca-se rápido sobre a pista, sua máquina, mais que suficiente, levanta o nariz e alça piloto e passageiro com a autonomia e a segurança características de um projeto tecnicamente vitorioso. Some-se a isso a competência do piloto, o ponto de vista privilegiado, tranqüilo, que o vôo em baixa altitude proporciona e teremos detalhes próprios da nossa dimensão: a dominação da paisagem.

A oitocentos pés do solo, todas as referências visuais, relevos e edificações são figuras familiares e, ao mesmo tempo, alvos de um novo ângulo de visão. Olhar a cidade de cima e sentir-se um observador que a conhece melhor, justamente por vê-la em seu todo, mas sem perder os detalhes. Desvendar a noção que os mapas não trazem, entender os fluxos da malha viária, descobrir a importância das águas e das árvores.

Tudo isso nos traz um conhecimento ecológico, harmonioso. Transforma nosso olhar rasteiro em visão de pássaro. Eleva nosso espírito a um nível de compreensão diferenciado, capaz de tornar o corpo e a alma ultra-leves… Transmuda nossa condição de seres desprovidos de asas físicas, mas possuidores do gênio criativo; capazes de construir máquinas esplêndidas e de superar as mais graves limitações!

 

J. Olímpio

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